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Caminho de Ferro de Larmanjat (1870-1877)
Via e material circulante

A via compõe-se de um carril central, (modelo Vignoles), pesando 18 quilos por metro linear e de duas passadeiras de madeira, de vinte centímetros de largura, colocadas a 52 cm de distância do carril central. Tanto o carril como as passadeiras estão ligadas a travessas de madeira por meio de cavilhas de ferro, e sobre esta tríplice linha movem-se as máquinas e as carruagens. A largura da via é de 1,27 m.

As locomotivas têm seis rodas, quatro ao centro, no sentido longitudinal, duas à frente e duas atrás, as quais funcionam como guias, pelos seus dois verdugos que abraçam o carril e são ligadas duas a duas por caixilhos, tendo ao centro um espigão que permite o andamento em curvas de pequeno raio. As rodas laterais têm 30 centímetros de largura, transmitem o peso da máquina às passadeiras produzindo o movimento pelo atrito. Evitam-se os grandes estremecimentos da caldeira pelo emprego de molas americanas, feitas de um rolo de borracha. As rodas directrizes recebem pressão por seis molas semelhantes.

Um engenhoso aparelho hidráulico, permite elevar ou baixar a caldeira para esta conservar sempre posição horizontal, quer suba ou desça as inclinações de modo que os tubos estejam sempre cobertos de água, cujo nível é indicado exteriormente. A força da locomotiva foi sujeita a experiências, transportando esta trezentas toneladas em plano horizontal.

Nas carruagens é o inverso que se dá, pois o peso actua sobre o carril central, diminuindo o mais possível o atrito. As rodas laterais servem somente para equilibrar o sistema de locomoção. Os passageiros, assentados costas com costas, num banco colocado ao centro, no sentido longitudinal da carruagem, estão convenientemente colocados para que o seu peso seja transmitido directamente sobre o carril central. As carruagens tem somente duas rodas centrais e duas laterais, de dez centímetros de largura. Os passageiros entram para as carruagens pelos lados e as mesmas estão divididas em três classes, as quais como acima fica dito têm os espaldares dos assentos virados uns contra os outros.

No dia 28 de Dezembro de 1871 fizeram-se em Inglaterra experiências notáveis. O comboio compunha-se de máquina, de uma carruagem de 2ª classe, uma outra de 3ª e de um vagão, feito tudo conforme os modelos descritos. Para este fim escolheu-se uma faixa estreita de terreno da floresta de Eppingue, em Buckhurt Hill, na qual se assentou uma linha com 512 m de comprimento e tendo uma inclinação média de 0,44mm e a máxima de 0,53 mm. A máquina subiu e desceu estas inclinações, com curvas de pequeno raio, chegando mesmo a dar voltas com 10 metros. Repetiram-se as experiências bastantes vezes, ora com as carruagens cheias, ora com as mesmas vazias, e com diferentes velocidades, obtendo-se sempre excelentes resultados.

Atendendo ao estado de humidade do terreno em que se construiu a linha, o comboio seguiu sempre com uma regularidade muito notável, sem grandes oscilações e fazendo prever um bom êxito em linha solidamente construída.

O tempo gasto no trajecto foi exactamente 60 segundos, incluindo a partida e a chegada o que corresponde a uma velocidade de 31,25 km/h.

O sistema foi levado ao actual estado de aperfeiçoamento pelo Sr. F. H. Trevethich, engenheiro da Lisbon Steam Tramway Company, Limited. A locomotiva foi construída pelos Srs. Sharp, Stewart, & Cº e é considerada como um excelente espécimen que demonstra perfeitamente a valiosidade da obra.




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