
O projecto de construção das linhas do Douro e Minho revela o esforço realizado em Portugal na segunda metade do séc. XlX para dotar o país de vias rodo e ferroviárias que satisfizessem as necessidades da Revolução indústrial.

Este empenho tinha por objectivo acelerar o progresso do país e facilitar as comunicações com a Europa, este um dos pincipais propósitos.

As primeiras tentativas datam de 1857. Só em 1862 Sousa Brandão é incumbido pelo Governo de reconhecer o terreno entre o Porto e a Régua.

O Douro chamava logo a atenção pela riqueza dos seus produtos, principalmente a Régua, dado o tráfego que vinha para o Porto, pelo rio e pela estrada e que o caminho de ferro podia transportar em melhores condições económicas e velocidade.

Em 1864, novamente Sousa Brandão é nomeado para estudar a ligação entre o Porto e Braga e elaborar o ante-projecto do prolongamento do Caminho de Ferro desde a Régua a Salamanca e Medina del Campo.

Em 1866 procedeu aos estudos da linha do Douro entre Porto e a Régua.

Concluida a missão em Julho de 1867, a construção das linhas do Minho e Douro foi autorizada em 2 de Julho de 1867, mandando-se fazer por conta do Estado e estabelecendo este duas linhas em sentidos opostos.

Por indefinição quanto ao local de ligação destas linhas com a do Norte (futuras estação de serviço comum e Ponte Maria Pia), só em 1872 foi apresentado o projecto definitivo (encontrando-se as duas em Campanhã, sendo o traçado comum até Ermesinde) bem como se mandou estudar o traçado até ao Pinhão.

Os trabalhos de construção foram iniciados em 1873, deles se encarregando a Direcção do Caminho de Ferro do Douro, bem como da do Minho se encarregou a Direcção do Caminho de Ferro do Minho.

Em 20 de Maio de 1875 Braga recebera o primeiro comboio que circulou a norte do Douro, e em 29 Julho de 1875 o caminho de ferro chega a Penafiel e em Dezembro a Caíde.

A propósito da inauguração do primeiro troço desta linha ( Ermesinde - Penafiel/Novelas) o jornal "O Primeiro de Janeiro" de 30 de Julho de 1875 dizia o seguinte:

"Ás 12 e 10 minutos partiu a máquina n°. 21 - "Douro" - tirando seis carros de 2ª. classe... seguia-se um vagon de mercadorias... quatro carros de 1ª. classe... um carro salão pintado a vermelho... e duas carruagens de 1ª... Fechava o comboio com um carro-salão, pintado de verde."

Como curiosidade, acrescenta-se que, da série de locomotivas à qual pertenceu a "Douro", ainda existe, como peça de museu - estacionada na Secção Museológica de Valença - a locomotiva a vapor n°. 23, em condições de funcionamento. Esta série foi construída pela firma inglesa Beyer Peacock, em 1875.

Como o andamento dos trabalhos nesta linha não tinham o mesmo ritmo dos da linha do Minho, em 1877 é criado o comando único, na Direcção do Caminho de Ferro do Minho e Douro, englobada nos Caminhos de Ferro do Estado, criados em Agosto de 1869, para assumir as linhas particulares do Sul e Sueste.

Com a unificação, os trabalhos evoluíram:

O comboio chega ao Juncal em Setembro de 1878 e á Régua em Julho de 1879, depois de ultrapassada a barreira do maior túnel da linha; ao Ferrão em Abril de 1880 e ao Pinhão em Maio seguinte.

Em Maio de 1878 o Governo mandara elaborar o projecto definitivo entre o Pinhão e Barca d'Alva. aprovado em 1881. Este dependia de um acordo do Govemo espanhol com vista à ligação na fronteira.

Os transmontanos protestaram, pois esperavam que a ligação final fosse por Zamora, via Bragança.

Por outro lado, para que a linha levasse a direcção de Barca d'Alva tornava-se necessário construir o seu prolongamento em Espanha, mas neste pais não se dispunham a isso.

Organizou-se então, para esse fim, um Sindicato no Porto, composto por banqueiros, capitalistas e comerciantes, que contou com o apoio do Governo e da maioria parlamentar.

Novo protesto geral, até porque havia sido concedida garantia de juro para a construção de uma linha fora do país.

Apesar de tudo, ficou garantida a vontade do Sindicato, que se transformou na Companhia das Docas e dos Caminhos de Ferro Peninsulares (futura Companhia exploradora - Companhia Caminhos de Ferro Salamanca à Fronteira de Portugal), que assinou contrato definitivo em 12 de Outubro de 1882.

A partir daqui, vários troços em direcção a Barca d'Alva foram aprovados. Mas tanto a construção da ponte sobre o Tua, como as negociações para a construção da ponte internacional sobre o Águeda atrasaram a conclusão da parte final da linha. O projecto da ponte foi mandado fazer à Direcção dos Caminhos de Ferro do Minho e Douro e aprovado em Fevereiro e Maio de 1886 pelos Governos português e espanhol, respectivamente.

Em 10 de Janeiro de 1887 foi autorizada a abertura à circulação pública do troço (secção) entre o Tua e o Pocinho, chegando ao Côa em Maio. Em Dezembro foram inaugurados o troço até Barca d'Alva e a ponte internacional.

Em 1990 o troço entre o Pocinho e Barca d'Alva é encerrado.