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Linha do Tua - resumo histórico
Após vários problemas quanto à definição dos traçados das linhas na região do Minho e Trás-os-Montes, foi aberto concurso, para a construção da Linha do Tua, pela carta de lei de 26-04-1883. O grupo adjudicatário da Linha de Santa Comba Dão a Viseu (Linha do Dão), vencedor do concurso, posteriormente à aprovação do contrato (Maio de 1884), trespassa-o à Companhia Nacional apresentando esta, em Agosto de 1884, o projecto definitivo que fora aprovado pela portaria de 29-09-1884, conjuntamente com a planta cadastral, perfil longitudinal, tipos de obras de arte, de via e a memória justificativa e descritiva.
Os estudos desta linha, assim como a sua construção, ficaram considerados como dos mais notáveis trabalhos da engenharia portuguesa.
Em 1885 a CN vê aprovados os seus estatutos por alvará de 11-10-1885.
O 1º. troço desta linha, entre Tua e Mirandela foi inaugurado em 29-09-1887 com a presença da família real.
A propósito da inauguração, o Boletim da CP de Outubro de 1949, na secção "Para a História" e sob o título " A inauguração da linha do Tua a Mirandela", da autoria de Álvaro Augusto da Fonseca, ao tempo factor de 3ª. classe, da CN em Mirandela, que a seguir se transcreve, e confirmado em Janeiro de 1950, pelo chefe de serviço, reformado, João Valério Moreira dos Santos, filho de João Valério dos Santos, chefe de Tracção e Oficinas da CN em 1887, que também assistiu àquele acto, com a idade de 9 anos:
"Há sessenta e dois anos, foi inaugurado o primeiro troço de linha férrea, de Tua a Mirandela, cuja construção foi feita pela Companhia Nacional de Caminhos de Ferro. Ao acto inaugural assistiu Sua Majestade o Rei D. Luís, que se fazia acompanhar do infante D. Afonso e do Ministro das Obras Públicas, Barjona de Freitas.
O comboio real foi rebocado pela locomotiva n.º 1, que recebeu o nome de "Trás-os-Montes", e que foi pilotada pelo Chefe da Exploração, Eng. Dinis Moreira da Mota.
Na estação do Tua compareceram as Câmaras Municipais de Alijó, Carrazêda e Pesqueira e em Mirandela aguardavam Sua Majestade, o Sr. Governador Civil e Bispo de Bragança, as Câmaras Municipais de Mirandela, Macedo de Cavaleiros, Bragança, Valpassos, Vila Flor e Alfândega da Fé, acompanhados de seis bandas de música e de milhares de pessoas.
Feitas as apresentações oficiais, houve recepção nos Paços do Concelho... Sua Majestade... o Infante e suas comitivas, foram hóspedes do Conde de Vinhais... Mirandela começou a sentir o progresso, motivado pelo caminho de ferro.
...é justo recordar os nomes dos primeiros ferroviários daquela linha: - Director, Eng. António Xavier d'Almeida Pinheiro; Chefe da Exploração, Eng. Dinis Moreira da Mota; Chefe de Tracção e Oficinas, João Valério dos Santos; Chefe da Fiscalização e Estatística, João E. Chaves; Chefe do Movimento e Tráfego, Simão Marques Pinheiro; Chefe do Serviço de Saúde, Dr. António Nunes da Rocha.
O pessoal do serviço de movimento foi recrutado pelo então chefe da Rede, Jerónimo Maria Cardoso, primeiro chefe da estação de Mirandela e, mais tarde, Chefe da Fiscalização e Estatística."
Acrescente-se que, a locomotiva citada, construída por Emil Kessler - Esslingen, na Alemanha, em 1887, encontra-se preservada na Secção Museológica de Bragança, com o n.º. CP E 81.
Foi também a CN que construiu e explorou a Linha do Dão, entre Santa Comba e Viseu, inaugurada em 25-11-1890.
Bragança, capital de distrito não podia deixar de ter o seu caminho de ferro, apesar do difícil concerto sobre o prosseguimento da linha. De Bragança projectou-se e aprovou-se um ramal de ligação com a linha do Sabor, passando por Vimioso, para servir as minas de mármores e alabastros. Nem os impulsos recebidos pelas acções de Emidio Navarro que ao tempo (1887) era ministro das Obras Públicas e se empenhara num projecto de construção pelo sistema Decauville, faziam andar os trabalhos. Em 1895 tudo caiu no silêncio.
O impulso recebido pela acção de Elvino de Brito (lei de 14-07-1899), que organizou os Caminhos de Ferro do Estado (CFE) e criou o Fundo Especial de Caminhos de Ferro (para os manter e construir) autorizou o governo a mandar construir a linha de Mirandela a Bragança, estabelecendo que o contrato devia ser feito com a CN. Porém, não houve acordo, e apareceu uma proposta em Março de 1901, de uma firma inglesa que pretendia obter a concessão.
O concurso de Outubro de 1901 fora anulado. Outro de 24-03-1902 e por influências, foi feito contrato provisório com João Lopes da Cruz. Este, por impreparação, vê-se obrigado a propor o trespasse à CN em 1903.
Em 20-07-1903 a CN retoma a construção, mas só em Junho de 1905 ficou assente toda a directriz da linha chegando o comboio à estação de Romeu em 2 de Agosto, em 15 de Outubro a Macedo de Cavaleiros e em 18 de Dezembro a Sendas.
No ano de 1906, em 14 de Agosto, Rossas recebeu o comboio, sendo o "velho" desejo satisfeito, com a chegada da 1ª. composição a Bragança, em 01-12-1906.
Em 1947, a Linha do Tua passa a ser explorada pela CP no seguimento de um processo de unificação da exploração da rede ferroviária nacional.

Em 01-01-1990 o troço entre Mirandela e Bragança é encerrado.
Em 28-06-1995 é entregue à empresa do Metro de Mirandela a exploração o troço entre Mirandela e Carvalhais, numa extensão de 4,1 km.
Em 21-10-2001 é entregue a exploração da restante linha (Tua a Mirandela) à empresa do Metro de Mirandela.